10/11/2008

Uma moça, um Beijaflor e, Enfim: um Liquidificador

Ele viu a estátua na loja... Uma moça... quer dizer, a estátua que é de uma moça, esculpida por um tal de beija-flor. Falei isso mais pra acabar com possíveis confusões... bem, voltando: Sabe quando tem tudo que você sempre achou lindo?! Pois é... a moça tinha cabelos curtos maravilhosos, que pareciam se mexer a um vento que brota da pedra imóvel. Uns pezinhos... Ah!, cada dedinho na proporção certa, do jeito certo... como se o escultor tivesse gasto 3 dias com cada um deles. O colo, como aqueles colos descritos nos livros de épocas atrás, lisos como seda...

Dava pra imaginar uma mulher como essa, aliás, era como tê-la a seu lado... Enfim, comprou-a. E a colocou perto do lugar onde fica o liquidificador, na copa. Aliás... aqui entra um caso engraçado do proprietário da casa... Se não deu pra perceber ainda, ele é meio psicótico... Acreditem! Ele sempre desmonta cada pecinha do liquidificador para guardá-lo, não é esquisito?!?!?!? Enfim... ele é muito cuidadoso com essas coisas domésticas que ninguém dá valor, Enfim de novo: A vida do felizardo dono era até mais bonita com sua moça sempre perto de si... Todo dia olhava para Ela, via sempre aquela perfeição, até que a perfeição...
Derrubou o liquidificador no lindo colo da moça, quer dizer, não todas as peças montadinhas, por causa das picuínhas caseiras do coitado... Só aquela lâmina que gira, quer dizer, a única lâmina do liquidificador. Enfim, caiu no colo dela e o feriu. O homem se desesperou! Tirou o lugar do liquidificador de lá e, depois, procurou em revistas de decoração, consultou especialistas em arquitetura e essas coisas... e resolveu um método pioneiro, bastante arrojado na minha opinião, que é vestir, com roupas de verdade, a moça, você sabe! Pra tampar aquelas falhas indesejáveis...

Cobriu-se então o colo dela. Linda ela, satisfeito ele, seguiu-se a vida... eh... Não como antes... apesar de combinante com o ambiente do lar, ela estava diferente... alguma coisa mudou seu ar... O parceiro, desesperado, não sabia direito o que fazer... Depois que tirou o armarinho em que guarda seu liquidificador do lado dela, todos os dias, lá pelas 5 da tarde, (que era o horário que chegava do trabalho) o nariz dela fazia uma sombra esquisita em seu buço, quer dizer, esquisita para as picuínhas do nosso amiguinho biruta, enfim... sombra essa que não dava pra aguentar. Foi aí que ele teve uma idéia genial! Pôs um chapéu nos belos cabelos dela... que ficou Belíssima! Sem sombras birutas no buço... Sem nada...

Mas ela ficou meio distante de tudo com aquela sombra em sua face... E ele foi esquecendo da sua Belíssima... Tanto que esquecia de limpar seus lindos pés... Mas não completamente! Limpava todo mês, na sua "famosa" faxina Geral, vulgo GG, na casa, e achava muito trabalhoso passar o pano, o produto e a bucha em cada uma das frestinhas entre os dedos da Musa do Beijaflor e do alvo do liquidificador do biruta... Enfim, por preguiça... Calçou a Musa... com sapatos lindos, ainda podia parecer gente...

Satisfeito com sua GG, vendo sua nova estátua, pensou em coisas importantes e foi dormir.

Ao acordar, Viu que sua Bela havia sumido, nunca mais, depois desse dia, olhou para a sua Musa, nem para seu chapéu, seus sapatos, ou o pano que cobria seu colo. Perdido, na procura pela Bela, correu pela porta de chofre e esbarrou num armário perto da porta, que não costumava ficar ali, enfim... voou pela janela um liquidificador de picuinhas...


"Quem sabe ela não volta?"

"Ô imbecil! Estátua não anda!"

"Ah! é..."

20/09/2008

Um jardim lindo

Marcos era um homem milionário que comprou um castelo na Europa. Tudo bem que falar que ele é milionário é redundância, já que o homem compra um castelo enooorme... O mais bonito de toda a Espanha, com os móveis mais caros, nos padrões feudais, lá no interior do país mas, enfim, estava olhando, pela internet, fotos do castelo aqui do Brasil mesmo e o achou lindo. Pensou em levar amigos seus de vez em quando pra passar uns tempos na Europa dentro de seu novo lar alternativo.

A história de como Marcos ficou milionário em sua vida é muito grande, já que dura uma vida quase inteira. Então não vou contar para vocês. O fato é que Marcos sempre foi muito desprendido do material, bondoso, caridoso, gente fina, enfim... Quebra o mito de que os milionários são todos uns malas, quer dizer, talvez isso seja verdade para quem nasceu rico. Marcos nasceu muito pobre e ganhou aos poucos. Por isso sempre deu valor ao esforço humano.

Eu tô aqui falando falando e não continuo o conto. Quando for assim é só você que está lendo saltar umas linhas por que o que está a sua frente não são palavras de grande importância. O fato é que quando Marcos foi pela primeira vez à sua casa nova conhecer todos os cômodos já que só tinha visto fotos pela internet, se deparou com um grave defeito na casa. Ela tinha um fosso (nessa hora você fala "é claro que tinha um fosso, você não falou de um castelo medieval?!"), um fosso que era muito maior do que parecia ser nas fotos, quer dizer, claro que o castelo continuava maravilhoso, era cada torre linda, mas o fosso tornava tudo mais feio, não... feio não é bem a palavra... eu diria mais... amedrontador! Isso mesmo, o fosso tornava tudo mais amedrontador. Marcos não conseguia ver a vivacidade de dentro dos cômodos ao olhar de fora, porque só sentia medo. Mas foi aí que nosso protagonista teve uma idéia. Ele foi a uma loja especializada lá em Madrid, comprou muita terra, uma pá, e foi tampar o buraco do fosso. Você deve estar imaginando como ele ia colocar toda aquela terra pra dentro com apenas uma pá, quer dizer, ele não seria capaz de usar duas, quando disse com uma pá eu quis dizer sozinho mesmo... mas eu já havia te dito que Marcos valorizava o esforço humano. Sem contar que isso o tornaria um milionário excêntrico... Olha que legal!

Enfim, ele trabalhou tanto que se feriu muito durante o trabalho, mas ele achava que mudar a fachada do castelo era algo que valia seu esforço. Depois de meses tentando fechar o fosso do castelo, parecia que o trabalho não tinha fim, mas Marcos passou o braço na testa pra tirar o suor e continuou. Jogava terra, jogava mais e mais terra, até que Marcos, tonto de cansaso, agoniado de tanto trabalhar, não aguentando mais, olhou para o trabalho pronto. Estava lindo o castelo... com sua fachada mais proxima e aberta para quem quisesse chegar perto, faltava só colocar grama em volta onde havia apenas um buraco sem graça. Marcos passou a mão pela testa de novo, mas agora satisfeito, com um sorriso de orelha a orelha, e foi para Madrid novamente, buscar a grama e as flores, pois ia colocar um jardim lindo em volta do castelo.

Marcos ficou quase o dia todo em Madrid, consultando com os melhores decoradores, comprando as flores mais bonitas e os gramados mais belos, o jardim estava pronto na sua cabeça, só faltava montar. Quando ele chegou em sua casa, o céu já escuro, pensou em dormir, para terminar seu trabalho amanhã. Marcos adorava dormir quando tinha trabalhado o dia inteiro, ele sempre dizia "é por isso que eu gosto tanto de trabalhar... O descanso chega a dar prazer quando a gente tá realmente cansado...", enfim, Marcos entrou no salão maravilhoso de entrada, com todos aqueles... "Pera aí! cadê os móveis?" Marcos sentiu nessa hora um cano gelado encostar na sua nuca e uma voz, em meio a muitas gargalhadas ao fundo: "Muchas gracias Marcos Campos, sempre quisemos roubar todas essas obras de arte caríssimas e nunca conseguimos maquinar uma forma de passar pelo fosso sem sermos percebidos. Foi muito gentil da sua parte trazer também uma opção de jardim lá fora para nós! Mas, particularmente, prefiro trazer umas escavadeiras pra cá para refazer uma segurança tão boa... Tem muito ladrão por aí sabe? hehe... Aliás, aqui tem muita coisa inútil agora (Marcos, nessa hora, gelou não só na nuca do cano, mas em todo o seu corpo)... Não é mesmo rapazes? (mais gargalhadas) Ainda mais que temos tudo isso que está aqui dentro, e a escritura do castelo! Bem... o que mais posso querer, diga adeus Marcos Campos!

Ele tentou se virar, mas a única coisa que percebeu do momento foi o som de uma explosão forte, e distante de qualquer pessoa fora do castelo.

03/09/2008

Quase! Quase!

Um homem, entre um cigarro e outro, imprime um monte de papéis iguais. Um nome, leve descrição de comportamento ("nunca termina o que começa") e olhinhos fitando quem olha a foto. Olha pra um daquele monte de anúncios.

...

Carros passando, barulho. Barulho. Uma roda de bicicleta! Quase! Quase! Petelecos, onde?! Onde?!

...

Ele senta de novo a frente do computador. Não olha pra tela, olha pro nada, pela janela do apartamento. Ele lembra da alegria de ambos quando iam passear... Respira fundo, põe a mão sobre os joelhos e força para se levantar

...

uma bolinha! Quase! Quase! Que menina esquisita que gritou! cadê aquele moço?! Ai que fome!

...

Pega calmamente a pilha de anúncios do desaparecimento triste. Desce de escadas, não quis descer sete andares de elevador porque nunca desceram juntos de elevador. Abre a porta e prega o primeiro no quadro de avisos do condomínio.

...

Olha! Um amigo enorme! Corre! Quase! Quase! Rodas! Muito grandes! Maiores, maiores. Cadê meu dono?!

...

Sai pela porta do apartamento, estão recolhendo um corpo de cachorro na rua... Atropelado por um caminhão de ração de cachorro, com um cachorrão no lado. Ele ri pra se mesmo "...que irônico..." finalmente ele fica triste. Se lembra do próprio cachorro. "Quase" -Ai como eu gostava de ficar gritando o nome dele! "Quase! Vem cá Quase!" Será que ele também morreu?

26/08/2008

Velório de suicida

Olá... Meu nome é Érico, tenho 40 anos e eu vim contar a história da minha mãe.

Ela teve doze filhos, suou a vida inteira pra sustentar todo mundo. Meu pai era motorista de bonde e ela era professora de Geografia e vice-diretora d euma escola municipal da cidade de Lima Duarte.
Claro que o custo de vida era outro. Dava pra criar, com sobra, os seis primeiros filhos... (todos na roda riram um pouco) doze era um pouco demais pros dois. Lembro-me até de quando o frango, comprado apenas no natal, era servido. Cada um tinha um pedaço. O meu era a asa esquerda. E tem outra! No dia das mães tinha bife. Como era um dos últimos, pegava os menores pedaços de bife. Por causa da hierarquia da época. Primeiro, servia-se o pai, que pegava o segundo maior pedaço, depois, a mãe, que pegava o maior pedaço, e os filhos se serviam em ordem de nascimento. Tô falando muito de mim...

Minha mãe teve muito trabalho pra criar todo mundo. Claro que os mais velhos dividiam o trabalho, mais era difícil criar e educar todos os irmãos. Ela alfabetizou todo mundo, ensinou valores, ensinou as irmãs a cozinhar, cuidava da casa e ainda sobrava tempo pra corrigir as provas e trabalhar na escola.

Falei muito de comida porque minha mãe adora comer! Ela sentia saudade dos gostos qeu comia quando tinha uns três ou quatro filhos. Falava que quase não podia comer porque sempre estava grávida. Sempre chorando, coitada, meu pai chegava machucado do trabalho em casa. Trabalhava muito, ganhava pouco. Por mais que ela fosse adulada, ela não gostava muito da situação de vida dela.

Os filhos foram alcançando a idade do ginásio e ela foi mandando pra capital (Belo Horizonte). Quase todos os meninos estudaram no Insituto de Educação. Educar aquela moça sabia viu... E como sabia. Foi aí que algo triste aconteceu: Meu pai perdeu um braço no bonde, um bêbado o puxou pros trilhos. Como ela chorou. Mas logo depois ela teve um alívio, sentiu-se como se Deus estivesse olhando pra ela lá de cima. Recebeu uma proposta de dar aula de geografia noInstituto de Educação aqui em Belo Horizonte, Na época era considerada uma ótima escola, o melhor é que combinou o tempo do 4º filho precisar de se mudar pra lá. Ela foi de mala e cuia com todo mundo. Mas ela não sabia que era mais caro criar filhos na capital. Escola ela não pagava, porque era professora, mas o custo de vida era maior... Passou a ensinar a noite também, alfabetizando adultos. Quase não tinha tempo pra vida dela coitada. Não dava mais pra comer o frango e nem o bife.

O tempo passou e os filhos dela foram conseguindo empregos diversos e foram saindo de casa, mas meu pai morreu e ela passou junto com o tempo e foi ficando doente e debilitada. Lembro até que minha mulher falou "Tem muito do psicológico de não ter mais os filhos em casa, aidna mais o marido, que ela ama tanto" Achei a idéia ótima. Trouxe ela pr aminha casa. Os meninos adoram a avó e ela tem muito carinho por eles. Não faz os biscoitos que eu comia na infância, mas ensinou a secretária lá de casa a fazer todos. Ela, coitada, que não os podia comer, que só de olhar aumentava a glicose, fitava os netinhos enquanto conversava conosco tomando alguma de suas pílulas.

Eu não entendo... sempre tive muito cuidado com a minha mãe sabe?! Fiz TU-DO o que o doutor mandou, ela não comeu gordura, carne vermelha, glicose, café, nada... Outro dia escutei ela dizendo "Quando podia comer, não tinha dinheiro... nem tempo. Agora que tenho tempo de sobra... e tenho dinheiro, não posso mais comer." Eu ri... Minha esposa e os netos dela riram. Mas ela tava só melhorando de saúde. Quem liga pra não aproveitar um gostinho de nada, quando é da vida que nós falamos... né? NÉ!?!?! Eu nunca deixei-a comer o bacon, o feijão andu, a pimenta, o frango, o bife e tudo aquilo que ela não podia mais comer. Queria ela sempre bem e de bem com a vida... (uma lágrima escorre na maçã do rosto, rosa de frio) de bem com a vida...

17/08/2008

Diálogos...

Na praça, vejo um homem sentado, falando consigo mesmo (sim... Adoro pegar o bonde andando. Além do mais, quem mandou ele falar em voz alta?):

"Agora já chega!! Não aguento mais! Eu não sei como consegui aguentá-la todo esse tempo! Bem que meus amigos me falaram que eu não ia durar muito tempo... Essa mulher me consome! Eu não tenho mais liberdade pra nada! Tô aqui esperando-a chegar, atrasada como sempre, enquanto o Galo tá jogando lá no mineirão e a galera tá toda lá! (dou umas risadas, sem ele ver, enquanto ele xinga um monte de coisas) [...] E olha que ela ainda reclama! Que eu não passei aquele perfume, não me lembrei daquela roupa, não reparei naquele corte, não me lembrei daquela data. Meu Deus! Eu não sei como consegui juntar todas essas cicatrizes! Só faço ceder espaço pra ela e ela nada! E tem gente que acha que ela é boa pra mim! Vê se pode... Mas está decidido de hoje não passa! Vou term..."

Estranhamente não escutei mais nada, entaõ olhei pra ele... O homem estava olhando fixamente a um ponto e começou a falar de novo:

"Nossa... Ela tá com aquela roupa que ela saiu na França na nossa Lua-de-Mel... E esse cabelo! Como ela tá linda! Por isso que eu a amo tanto..."

-Oi amor! Demorei?
-Nem vi o tempo passar! Tava só pensando em você!!
-Será que não viu? Nem tá com o seu radinho... o Atlético ganhou, 2x0
-Você escutou o jogo?!? Que legal!
-Não não... perguntei pro taxista.
-Mesmo assim! adorei ter se importado!
-Hmmm... Pra mim você ia usar o perfume que eu te dei de aniversário...
-Tô usando um outro, sente o cehiro pra ver se você gosta!
-(pausa pro cheiro...) Que delícia!
-Tava morrendo de saudades!
-Eu também! Te amo muito!!
-Cortou o cabelo!!
-Pensei que não fosse reparar...
-Depois daquela vez... eu até ligo pro seu cabeleireiro pra saber se você foi lá

Os dois saem rindo... Eu olho pra frente de novo e vejo a lua aparecendo, cheinha cheinha... Que saudade dela meu Deus...

03/08/2008

Toda cabaça tem tampa...

O conto não tá da melhor qualidade... Mas pelo menos tá...

ixxx! Num acho de jeito nenhum!!
-iiih... Lá vem você com sua falta de atenção? O que foi que você perdeu dessa vez?!
-O pior é que eu nem sei!
-Como assim? -Os dois riem- Ficou doido?
-Pois é, sabe quando você sente que tá faltando alguma coisa? Eu sei que quando eu encontrar eu vou saber o que é...
-Hum... Já olhou debaixo da TV de Plasma?
-Já...
-E ali! do lado do VAIO do quarto de visitas, você vive esquecendo coisas lá
-Não olhei! Obrigdo, mas não é algo que esqueci... Eu não me sinto completo, entende?
-Não, mas não se pode entender tudo, não é verdade? -diz o amigo enquanto ajuda a procurar.
-Não! Não é verdade, eu sei que se não entendi alguma coisa, foi porque observei pouco, ou estudei pouco. Sempre se pode ter tudo o que se quer, entender tudo o que se pretende, enfim, o que falta, de vez em quando, é competência de quem quer.
-Interessante o raciocínio, mas falho. Assim como todos nós, você acaba de se sentir incompleto e não sabe o que é. -Diz isso enquanto levanta umas almofadas de um sofá moderníssimo e a tampa do piano de calda- Aliás, você sempre foi assim...
-... Hum?
- Esse piano, por exemplo, nunca mais te vi tocar.
-Mas isso foi impulsivo, coisa de criança! Ainda bem que tenho dinheiro pra atender a uns...
-Caprichos? Não eram caprichos, você sabe muito bem que se sentia bem enquanto tocava... o piano, ele te completava! Lembro como se fosse ontem do seu coleguinha te chamando de "viadinho" porque gosta de "Johann Sebastian Bach", tsc tsc... Aposto que ele nem sabe escrever esse nome, e você, aos poucos, largando o piano... É isso que você tá procurando? - disse apontando pra algo dentro da cauda do piano
-Não... Enlouqueceu? Isso é uma bola, brinquedo de menino, nem sei como isso foi parar aí... Ah! Lembrei! eu coloquei pra encher o saco da minha mãe, ela procurou, procurou e não achava nunca! - os dois riram muito- Como era bom essa época!
-Era nada cara! você, naquela época, queria por que queria aprender a dirigir, você passou sua infância voando por que não queria viver sem carro.
-É verdade! Não acho de jeito nenhum...
-Talvez não esteja aqui...
-Não não... eu sei que tá comigo, em algum lugar.
-Temos uma evolução!
-Como assim?
-o quê?
-Evolução... Não entendi...
-Ah... Nada, nada! Achou aí? Vou ter que sair agora...
-Não... mas eu vou procurar aqui até achar (disse isso engatinhando pela cozinha)
-Ah... Continua aí a procura, eu to vazando...
-Falou cara! Depois te conto o que era.
-Talvez você já achou e nem sabe
-O quê que você disse? Não escutei nada!
-Nada nada... Esquece! Tchau! Se cuida!
-Tchau!

24/07/2008

Deixa o copinho na mesa da frente mesmo...

"finalmente, achei a poltrona ideal.
grande, confortável, com espaço pra botar o copinho... perfeita pra mim!"

João comprou a poltrona. Mas, ao chegar em casa, olhou pro sofá velho que ele tinha em casa. Todo horroroso, não combinava com o cômodo, nem tinha espaço pra copinho! Mas ele, com uma lágrima caindo dos olhos disse "não sou capaz de trocar!!!" seu amigo, que ajudava a carregar a nova disse, fica pra mim então, eu boto lá em casa. Assina aqui.

Satisfeito, nosso personagem principal, discípulo de uma frase do grande sábio Sérgio Reis: "panela velha é que faz comida boa", assinou o contrato, ajudou o amigo a levar pra casa e foi recostar-se em seu sofá de estimação.

Acontece que o sofá antigo não tinha mais a mesma graça para João. Todas aquelas flores vermelhas em seu cômodo laranja, todas as molas furando o estofado, já não tinham o charme caseiro que tinham antes. Um mês depois, doido de arrependimento, ele queimou seu sofá de tanto ódio que tinha da burrada que tinha feito.

Depois de ter queimado o sofá, João percebeu que nenhuma outra poltrona em nenhuma outra loja era tão boa quanto aquela novinha, com espaço pra copinho, que estava, graças a ele, na casa de seu amigo. Também percebeeu que, por queimar a velha, não sobrou nada pra ele.